Essav e a venda da primogenitura

                Como não escrever sobre a Parashá dessa semana – Toledot?

              Impossível deixar passar em branco o nascimento de Yaacov e Essav, a venda da primogenitura, a troca das bênçãos paternas, a cumplicidade de Rivka. Todos esses episódios nos levam a muitas questões e reflexões, algumas incômodas, outras desafiantes.

         A Parashá começa nos relatando que Rivka era estéril, como muitas de suas contemporâneas bíblicas. Seu marido, Yitzhak, reza para Deus e ela engravida após 20 anos de casamento. Ela agradece seu marido pelas rezas? Agradece Deus pelo milagre? De acordo com o texto bíblico, por conta das fortes dores que começa a sentir, Rivka reclama das dores e chega a se arrepender de ter desejado ter um bebê  – “se as dores da gravidez são assim tão intensas, porque eu desejei estar nesse estado?”. Contudo, não podemos julgá-la, não passamos por tais dores, na hora do aperto as pessoas dizem coisas que nem sempre correspondem com a realidade: o famoso “calor do momento”.

           Continuemos. Rivka vai à Yeshiva de Shem em busca de uma mensagem divina sobre o que está acontecendo. Recebe a informação de que sairá de seu útero o ancestral de dois grandes povos, e que um governará o outro. Um famoso Midrash diz que quando a mãe passava por casas de Torá ou de idolatria, um dos bebês se movimentava. Essav ainda não nasceu, mas já é idolatra. Tem livre arbítrio? Pode ser punido se é vítima de um destino selado antes mesmo do nascimento, destino esse que o condena ao pecado? Como tem a opção de escolher se dentro do útero já se atraía pelo mal? Ainda não procurei o suficiente tais respostas pois não as encontrei.

             Mas não importa: fato é que Essav simboliza o ruim e Yaacov personifica o bom. A interpretação das entrelinhas do texto bíblico ou glorifica Yaacov ou demoniza Essav. O pai – Yitzhak – gostava de Essav, pois ele provia alimentos, ao passo que Rivka gostava de Yaacov. Por quê? Não sabemos.

             Ressalte-se que a Torá nos diz que Essav era quem caçava e proporcionava comida, enquanto que Yaacov ficava nas tendas estudando Torá. Não há nada no texto que indique que Essav exigia algo em troca por isso, alguma contraprestação. Mas há um dia – Rashi nos diz que no dia da morte de Avraham – que Yaacov é quem está cozinhando e servindo a comida.

            Essav chega do campo exausto e roga por um prato de lentilhas vermelhas. Yaacov não serve seu irmão. Ao invés disso, o chantageia, oferece um preço: venda-me sua primogenitura e eu darei. Não consigo entender essa parte do texto. Como Yaacov, um judeu comprometido, se nega a alimentar seu irmão? Seu irmão que, lembre-se, desempenhava exatamente o papel de colocar comida na casa? Quantas vezes Essav já deve ter lhe servido carne de sua caça sem cobrar preço algum? Imagino se Yitzhak tivesse presenciado a cena. Iria deixar passar em branco essa ‘proposta’ de Yaacov ou o repreenderia em público? Deixar de dar comida para seu irmão esfomeado, ou impor uma condição exorbitante para tanto, não seria contraditório aos princípios de Chessed, de respeito ao primogênito, de Derech Eretz?

           Talvez seja pela natureza da minha profissão que sinto uma inclinação de defender Essav, o malvado. Essav, o idólatra, o assassino, o cínico, o enganador. Mas lembremos: ao contrário de religiões que prezam a santidade irrepreensível de seus protagonistas, o judaísmo considera seus personagens principais como seres humanos elevados, mas igualmente passiveis de falhas humanas. Teria sido a compra de primogenitura uma falha de Yaacov, que aproveitou-se da fome desesperada de seu irmão para conseguir o que queria? Uma malandragem? Confesso que sinto falta de algum argumento ou comentário em favor de Essav, apenas para provar que não existem pessoas perfeitas e que ninguém é 100% inocente ou culpado.

           Hoje em dia, a venda da primogenitura seria, no mínimo, um negócio jurídico anulável por ter sido celebrado mediante lesão, conforme preceitua o Art. 157 do Código Civil:

Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta.

§1Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico.

              Mas na época essa legislação não estava vigente e a legislação judaica não parece repreender a conduta. Assim, temos que partir do pressuposto que foi uma troca justa, equilibrada e que deve prosperar por ter sido realizada mediante ampla concordância de ambas as partes. Além disso, Essav desprezou a primogenitura, portanto provou não ser merecedor. Preferiu a satisfazer sua fome e sua fadiga, respondeu “de que adianta essa primogenitura se vou morrer um dia de qualquer jeito”.

                Entretanto, ainda que legítimo pela Torá, o acordo realizado causa desconforto. Rashi diz que Yaacov agarrou o calcanhar de Essav quando ambos estavam nascendo, para assim tentar sair primeiro e adquirir a primogenitura legalmente. Poderíamos inferir daí que a aquisição da primogenitura por outros meios que não o natural seria ilegal?

          De qualquer forma, tenho a impressão que a ideia toda foi de Rivka, que agiu nos bastidores. Yaacov é descrito como um homem ‘tam’ – honesto, simples, ingênuo. Não o imagino nessa posição.

              Mas desconheço se há algum comentarista que mencione a interferência da mãe no episódio. Ela só desempenha um papel fundamental em um capítulo mais tarde, quando os filhos serão abençoados pelo pai. Capítulo este que novamente nos fará refletir sobre as atitudes do 3º patriarca e a situação de Esasv. Fica para um próximo texto.

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Shabat Shalom!

shabat

            Há aproximadamente 10 anos, decidi cumprir o Shabat conforme ordena a lei judaica ortodoxa, isto é, sem ter nenhum tipo de contato com eletricidade, abstendo-se assim de ligar ou desligar a luz, o celular, a televisão, bem como evitando escrever, apagar, carregar, entre outros mandamentos que derivam das 39 proibições bíblicas.

          Não entrei nessa sozinho.  Tive o apoio dos meus pais e pouco a pouco praticamente todos meus amigos passaram a respeitar o sábado. Quem não cumpria, passou a ser exceção.

            Pois bem.

        Eis que me aproximo de 2015 contando nos dedos – literalmente – aqueles que todavia cumprem a risca tudo, abdicam de suas vontades (ou, muitas vezes, de suas necessidades) em prol das ordens divinas e rabínicas. Churrascos aos sábados, por exemplo, viraram regra. Poucos são os que vão na sinagoga, pouquíssimos os que deixam de viajar sexta para não infringir o shabat à noite.

         Paro. Abro parênteses. Classifico que há duas formas de respeitar o shabat: uma material e outra religiosa. O shabat religioso é o que está codificado nas leis, as proibições supracitadas, as rezas na sinagoga. O shabat material é o clima, ambiente, ou atmosfera do shabat: reunir-se com a família na noite de sexta e almoço de sábado, evitar trabalhar, descansar, tornar o dia especial e diferente ainda que isso não implique se submeter a todas as leis da religião.

              Fecho parênteses. Continuo. Questiono:

             Será que o desleixo com o shabat é um fenômeno específico que atinge meu grupo de amigos ou é apenas um processo natural que inicia-se com o ingresso do jovem na universidade e culmina com seus 22 anos de idade, quando ocorre seu gradual afastamento de instituições judaicas como movimentos juvenis ou sinagogas? Se é uma fase, será ela duradoura ou em poucos meses passará? As tentações crescem de maneira insuportável? O temor ao divino é desprezado? O senso crítico se sobrepõe às rígidas leis? Tudo isso diz respeito ao shabat religioso.

             Entristece constatar que, infelizmente, muitos de nós também vêm deixando de lado o shabat material. O que anos atrás parecia incogitável – como sair para balada na sexta-feira a noite – agora é aceitável, comum. Grupos de whatsapp funcionam a todo vapor no sábado. Não recordo a última vez que escutei de um jovem judeu tradicional (não ultra-ortodoxo) o lamento “gostaria de ir, mas é shabat”. O shabat não impede nada. O shabat não está sequer em segundo plano, simplesmente não está no plano.

                 Tenho moral? Não. Respeito na medida do possível, mas estou longe da perfeição. Não estou disposto a não almoçar, por a comida ter sido feita no shabat, ou dormir de luz acessa para não ir contra a regra que proíbe desligar. Mas sinto que pouco a pouco estamos menosprezando as tradições judaicas de uma maneira exagerada, para não dizer arrogante. E o desrespeito não diz apenas a apertar o botão do elevador e sim a toda uma vivência do espírito sabático, uma conexão com o shabat de maneira mais profunda e densa.

                O mais paradoxal de tudo é que muitos que ainda cumprem o shabat, dos quais eu me incluo em parte, não demonstram ser esta uma experiência atraente. Confessamos: quantas vezes não olhamos para o relógio para saber quanto tempo falta para escurecer e, no minuto que o shabat termina, já corremos desesperados ligar o celular, aliviados que finalmente cessarão as proibições? Quantos de nós achamos um fardo o cumprimento do shabat em sua plenitude e apelamos para desvios “menos graves”, como pedir para alguém ligar a televisão ou a luz por nós? Respeitamos o shabat, mas o enxergamos como um privilégio, uma benção, uma dádiva ao povo judeu? Ou cumprimos por ser uma obrigação já consolidada, para não rechaçar as tradições que seguimos desde crianças? Ficamos satisfeitos com o descanso ou ele nos cansa ainda mais?

             Para concluir, creio que ambos os temas estão relacionados: jovens judeus vão deixar de respeitar o shabat se o enxergarem como um obstáculo, uma gama de proibições que complicam seu final de semana. É missão dos que ainda respeitam as regras atestar que vale a pena manter as tradições, ao menos do shabat material. A observância do shabat deve ser vista de uma maneira positiva e atrativa: a única maneira de fazer isso é através do exemplo pessoal dos que (ainda) cumprem.

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Onde estava Deus no Holocausto?

       

        Celebramos hoje o Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto, instituído pela ONU. Diversas cerimonias e homenagens costumam marcar a data, a maioria permeada por um viés político. A data judaica, embora contestada por setores radicais do judaísmo, é o Yom Hashoa, instituído pelo parlamento do Estado Judeu.

           Tanto no Dia Internacional quanto no Yom Hashoa refletimos sobre a sistematização das mortes ocorridas em campos de extermínio, jurando jamais esquecer e nos comprometendo a garantir que a atrocidade não se repita. Não faltam filmes, imagens, artigos e livros relatando os horrores sofridos por judeus de várias nacionalidades e o quase extermínio – bem elaborado, anotado, registrado e organizado – do judaísmo europeu.

             Impossível, para aqueles que acreditam em Deus, não questionar como isso pode ocorrer, como Ele não reagiu diante de uma catástrofe de dimensões jamais antes vistas. Se existe um Deus, como pode haver tanta barbárie, especialmente barbárie contra seu suposto Povo Escolhido? Por que Deus permitiu? Até o Papa fez essa pergunta. Como pode ser que o Criador assistiu passivamente suas criaturas serem assassinadas, asfixiadas, fuziladas, desprovidas de dignidade, sofrendo um processo de desumanização até perderem suas últimas energias para a fome e a miséria?

                Esta irrespondível questão me foi ousadamente respondida em diversas ocasiões. Basicamente, li e ouvi três respostas. A primeira trata-se de responder a pergunta com outra pergunta, no estilo judaico: “Onde estava o Homem?” Essa é com certeza a resposta que menos satisfaz. Quer dizer, quando há coisas boas no mundo ou sucesso e progresso somos obrigados a reconhecer a mão divina, a divina providência, algo superior, mas quando crianças são cremadas em larga escala, devemos ocultar a presença divina? Quando convém, colocamos Deus na História. Porém quando a pergunta incomoda, dizemos que é culpa do Homem? Se a resposta fosse dada por um ateu seria aceitável. Mas quando religiosos respondem dessa maneira, a resposta torna-se superficial. Dizem que quem perpetua a maldade é o homem, mas temos que decidir: ou Deus deixa a “coisa rolar”, afasta-se do mundo totalmente e responsabiliza os seres humanos pelas decisões sem influenciar ou se preocupar, ou Deus está presente e ativo, pode se envolver no nosso cotidiano e determinar os rumos. Se escolhermos a primeira opção, negamos princípios judaicos. Se escolhermos a segunda, devemos incluir os anos 30 e 40 nessa visão e concepção de mundo. A resposta “Onde estava o Homem?” subestima nossa inteligência pois já sabemos  sua resposta e desviamos o foco da questão.

             A segunda resposta visa obter um nexo causal, uma relação de causa-consequência. O povo judeu abandona a Torá e a religião e, em troca, Deus abandona o povo judeu. Essa faz mais sentido. O judaísmo secular cresce no séc XIX e, como castigo, o Holocausto ocorre no século seguinte. Judeus que tentaram se assimilar e se desassociar do judaísmo são discriminados e mortos como judeus.  Porém, como explicar a morte de 1,5 milhões de crianças? Por acaso crianças tem de sofrer pelas ações dos bisavós? Vamos, num momento de loucura, dizer que sim. Vamos supor que devido aos ancestrais abandonarem a religião judaica (o que foi o caso de muitas famílias alemãs), os descendentes, mesmo que tenham quatro anos de idade, devem morrer em câmaras de gás. Porém, como explicar a morte de cerca de 1.000.000 judeus poloneses ultraortodoxos, que confiavam em Deus, vivam para servir Deus, e mesmo assim tiveram suas yeshivot, sinagogas, e vidas destroçadas? Onde está a justiça daquele que é bom e misericordioso?

           Como última explicação, vem a metáfora: um sujeito olha pelo buraco da fechadura uma pessoa sendo lentamente esfaqueada. Logo deduz que ela está sendo assassinada. Porém, quando abre a porta, descobre que na verdade trata-se de um paciente durante uma cirurgia: o homem que está “esfaqueando” na verdade é um médico executando a operação visando salvar sua vida, ele não estava vendo toda a cena pois havia uma porta.  Assim também poderíamos encarar a Shoá: estamos vendo apenas uma parte, um ângulo, um ponto de vista. E outras formas de enxergar são impossíveis aos olhos humanos, não podemos “abrir a porta” e constatar a existência de médico e uma cirurgia por trás de tudo. É uma resposta bonita, porém a pilha de corpos esqueléticos e as montanhas de cinzas fotografadas nos campos de concentração não me permite relativizar a morte, interpretar que estou vendo tudo através do “buraco da fechadura”. Não. Nada justifica, não pode haver nenhuma razão maior ou mais nobre que explique tanto sofrimento. Por mais que seja uma “cirurgia”, as marcas das unhas das câmaras de gás comprovam que ela por si mesma é terrivelmente cruel.

               A pergunta permanece. Ela não pode ser respondida com uma outra pergunta, com uma explicação causal ou com uma metáfora. Todas essas opções são artificiais.

               Não arriscarei respondê-la e sugiro que todos que façam o mesmo. Prefiro colocá-la na lista de “perguntas impossíveis de responder de acordo com o judaísmo”. Não confunda com a metáfora. A metáfora diz que há uma razão, um porque maior que não conseguimos entender. Eu estou dizendo que não há razão, que não se pode responder, que é o mesmo que perguntar “Como Deus sempre existiu?”, ou “O que havia antes de existir alguma coisa?”.

                Mas, registre-se aqui, por curiosidade, a resposta dada em uma entrevista curta que li no Estadão faz muitos anos, com um sobrevivente que emigrou para o Brasil cujo nome já não me lembro: “não sou religioso, mas acredito em Deus. Não acredito que o mundo e sua complexidade vieram do nada, ou foram frutos de uma explosão. Mas acredito que naqueles anos, Ele estava cego. Não há outra explicação. Ninguém poderia assistir tudo àquilo sem fazer nada, impossível contemplar tanta crueldade com seus filhos. Ele se afastou e não viu. Sumiu por alguns anos, simplesmente desapareceu e abandonou.” Entre pensar que Deus ficou do lado do povo judeu, do lado nazista, ou de nenhum dos lados, prefiro esta última opção.

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Segulot

            Velas, amuletos, objetos, rituais, rezas especiais, análise de mezuzot e dicas sobre o futuro têm representando o lado místico do judaísmo nos últimos anos e um dos mais atrativos. Em outro texto, focou-se nos líderes espirituais kabalistas que recomendam tais superstições. Nesse, focaremos na eficácia das próprias ferramentas.

            Escrevo porque constatei filas e filas de pessoas se aglomerarem para escutar algum sábio conselho enigmático e misterioso, mas que resolverá seus problemas de forma rápida, imediata e eficaz. Não sou cético ao ponto de afirmar que não acredito no ocultismo místico, tampouco arrogante de acusar rabinos de estarem equivocados, até porque eles estudam e praticam o judaísmo dezenas de vezes mais do que eu.

            Porém, quando mais e mais livros sobre segulot são publicados, mais e mais pessoas deixam o principal para se ater nos detalhes, ignoram o essencial para se agarrar ao acessório, faz-se necessário alguma voz em sentido em contrário, voz essa que – felizmente – já escutei em algumas sinagogas em São Paulo.

            De acordo com a Wikipédia, supesrtição é a crença sobre relações de causa e efeito que não se adéquam à racionalidade e que geralmente está associada à suposição da atuação de alguma força sobrenatural, que pode inclusive ser de origem religiosa.

          Antes de se fazer valer dos segredos supersticiosos e místicos do judaísmo e tentar descobrir o futuro, temos que estudar preceitos e valores fundamentais do povo judeu, que garantem uma vida recheada de saúde, paz, alegria e conquistas. Após adquirimos tais princípios básicos e portarmos um caráter que se amolda em nossos parâmetros judaicos, poderemos, com cuidado, ousar em adentrar no lado mais transcendental e kabalístico da religião. Isto é, antes de rezar o salmo 24 acendendo vela para Rabi Meir Baal Haness dando Tsedaká e dizendo nomes especiais em uma data especial, precisamos rezar Shacharit.

           Reproduzo abaixo algumas verdadeiras e judaicas Segulot que encontrei na Internet e que pesquisei em nossas fontes. As dedico a nós que vamos atrás de instrumentos supersticiosos esquecendo-se do básico que devemos cumprir.

Segulah para Longevidade: levar uma vida saudável (Rambam, Hilchot De’ot 4:20), praticar bondade  e caridade (Mishlei 21:21), não falar mal dos outros (Tehillim 34:13; Avoda Zara 19b).

Segulah para curar doenças: procurar ajuda médica (Berachot 60a, Bava Kamma 46b)

Segulah para casar: sair e procurar uma esposa adequada (Kiddushin 2b)

Segulah para Shalom Bait: amor e paciência (Sanhedrin 7a, Bava Metzia 59a)

Segulah para ter uma esposa feliz: ser um bom marido (Rosh Hashana 6b)

Segulah para ter um marido feliz: ser uma boa esposa (Shabbat 152a)

Segulah para adquirir espiritualidade: estudar Torá e praticar Mitzvot (Megila 6b)

Segulah para ter suas rezas atendidas: rezar para alguém que está pedindo a mesma coisa (Bava Kamma 92a)

Segulah para conseguir rezar com Kavaná:  encarar a reza com seriedade (Berachot 5:1)

Segulah para evitar decretos ruins: arrependimento, oração e caridade (Musaf, Yamim Nora’im)

Segulah para evitar pecar — evitar a tentação (Sanhedrin 107a)

Segulah para ter uma verdadeira Parnassá — aprender uma profissão (Kiddushin 30a)

Segulah para nunca se afogar: aprender a nadar (Kidushin 30a)

           Esse é o lado genuíno do judaísmo! A pessoa deve viver pela Halachá, baseada na Tora Escrita e Tora Oral (Talmud), pensar racionalmente e não pelos segredos ocultos e místicos. Nossa vida cotidiana – principalmente a nossa que carece de tantos valores judaicos – não pode ser determinada e guiada por amuletos e previsões.

            E para finalizar, em Devarim há um passuk: “Sejas ‘tamim’ com Hashem, teu D’ us”. Rashi escreve que Tamim significa íntegro e Ramban traduz como perfeito. Independente do significado literal, ambos interpretam da mesma maneira o que a Torá quer nos dizer: devemos confiar completamente em D’ us e ter uma fé plena sem ir atrás de pessoas que dão dicas sobre o futuro, previsões e adivinhações.

            Conclusão: segulah para ter uma fé pura – não ir atrás de Segulot!

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Ytzhak Rabin Z”L

No último domingo, os movimentos juvenis judaicos, a FISESP e Agência Judaica organizaram um Ato em Memória a Ytzhak Rabin, assassinado no dia 04/11/1995.

Tive o privilégio de, em nome da Juventude da Federação, expor algumas reflexões que podemos extrair desse trágico acontecimento.

Reproduzo abaixo a íntegra do pronunciamento.

              Boa noite.

            Todos aqui presentes sabem o que significou a fatídica noite do dia 04/11/1995. Não é necessário divagar sobre o atentado que a democracia israelense sofreu, muito menos sobre o impacto dessa tragédia para o povo judeu. Todos que prestamos essa homenagem hoje estamos conscientes da importância de não ignorar essa data, estamos cientes da gravidade do ocorrido.

            Portanto, como representante da juventude, gostaria de atentar sobre um detalhe da vida do assassino Ygal Amir: sua idade. Ele tinha apenas 25 anos quando decidiu atirar nas costas do primeiro ministro israelense por não concordar com suas ideias. Jovem estudante de Direito e comprometido com a religião judaica, Ygal Amir estava convicto que sua forma de conduzir as políticas do Estado de Israel seria melhor que a do governo daquele tempo e decidiu simplesmente eliminar um líder que dedicou sua vida em prol do Estado Judeu.

            Ygal Amir é a prova que a intolerância e o desrespeito podem ascender a patamares inconcebíveis. É um símbolo do radicalismo e uma personificação do extremismo, é a prova de quão valioso e essencial deve ser o conceito de pluralismo entre nós. Mas é também uma mensagem clara para a juventude judaica: com 25 anos, temos o poder de construir e de destruir, de salvar ou de ceifar uma vida. Cabe a nós – e não a mais ninguém – optar pelo caminho correto.

            Na faixa dos 25 anos, temos a capacidade de impactar o povo judeu. Ygal Amir escolheu impactar de forma trágica e triste. Nós, a juventude judaica, podemos nos vingar dessa terrível escolha.

            Sim, nós podemos vingar a morte de Ytzhak Rabin. A vingança consiste em nos unificar mesmo sem apagar nossas diferenças, em respeitar uma opinião diferente mesmo sem concordar, em trabalharmos juntos por um bem maior e com um denominador comum, em criar pontes entre nós, em sermos abertos a um verdadeiro diálogo intra-religioso, em lutarmos pela paz e pelo respeito, em reconhecer que o mundo judaico não é homogêneo e nunca será, mas que cabe a nós enxergar que somos todos parte do mesmo povo e justamente aí reside a beleza do judaísmo. Nós, jovens entre 20 e 30 anos, não podemos permitir que apareçam discípulos de Ygal Amir no que diz respeito a intolerância e a não aceitação do outro.  Nós temos que nos comprometer a aceitar ideias diferentes, indivíduos diferentes, ideologias diferentes. Nós temos tantos objetivos em comum! Por que deixar pequenas discordâncias serem um obstáculo as nossas semelhanças?

            Nós não podemos trazer Rabin de volta. Mas podemos –e é nossa obrigação – nos vingar de seu assassinato, vivendo uma vida judaica plena através de princípios e valores que priorizam o amor ao próximo e o respeito as diferenças.

         Rabin engajava-se em fazer a paz com os palestinos. Ygal Amir provou que igualmente urgente e importante é fazer a paz entre nós mesmos, e depende de nós, possíveis líderes e dirigentes comunitários do futuro, garantir uma comunidade unida e em paz, permeada pelo respeito mútuo e pelo diálogo.

            Sempre que nos desunimos, perdemos. Sempre que elevamos nossos conflitos internos, somos derrotados. A história judaica se repete. Os filhos do patriarca Yaacov atiraram seu pequeno irmão Yossef no poço. O resultado? O povo judeu foi escravizado no Egito. Séculos depois quando o povo já estava assentado na Terra Prometida, conflitos internos desuniram as tribos criando o Reino de Israel e o Reino de Judá. O resultado? O exílio de 10 tribos.  Após a destruição do 1º Templo, o governante judeu Guedália foi assassinado por outro judeu. O resultado? A comunidade judaica foi totalmente desestruturada. Já durante o Segundo Templo os judeus se desuniram e geraram ódio gratuito entre si. O resultado? A destruição do Segundo Templo.  Pouco tempo depois, os discípulos de Rabi Akiva não cumpriram com o preceito de amarás o próximo como a ti mesmo e intensificaram suas discórdias. O resultado? Milhares foram punidos com uma peste, de Pessach até Lag Baomer.  E assim a história se repetiu no dia 04/11/1995. Não há duvidas que o único povo capaz de ameaçar o futuro do povo judeu é o povo judeu.

             Nós somos o futuro, nós damos continuidade a fantástica epopeia judaica através dos tempos. Não podemos permitir que pequenas diferenças, sejam elas políticas, religiosas, sociais, sejam um empecilho e um obstáculo para construirmos uma comunidade mais solidária e mais unida. Nós, jovens judeus da Diáspora, temos o poder e o dever de assumir a responsabilidade de não nos desunirmos, não criarmos intrigas, não tentarmos impor nossa visão de mundo como a única verdadeira, e excludente.

               Essa é a nossa missão. Isso é o que o triste episódio daquela noite nos ensina. Não é um caminho fácil de seguir. Mas, como já dizia o Pirke Avot, não somos obrigados a finalizar a tarefa, porém tampouco somos isentos de nos esforçar e tentar.

           Que a memória sobre essa tragédia sirva como inspiração na busca da harmonia, colaboração, compreensão, respeito e honestidade entre nós.

            Muito obrigado.

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HISTÓRIA, POVO, IDENTIDADE, CONTINUIDADE

                Estamos numa época que relembramos o início da história judaica. Tentarei resumir em algumas linhas toda narrativa do Pentateuco, só para dar uma refrescada na memória. Avraham é aprovado para ser o 1º yehudi de história, pois consegue se sair bem nos 10 testes propostos por D’ us. Eliezer, seu servo, encontra uma noiva para Ytzhak. Ytzhak, como leremos nesse sábado, tem dois filhos. Um deles, Yaacov, é o escolhido para dar continuidade à história do povo judeu. Ele recebe a benção correspondente, casa-se com Lea e Rachel, nossas outras matriarcas, e gera um total de 12 filhos. Após um pequeno desentendimento gerado por inveja e ciúmes, seu filho preferido é vendido para o Império Egípcio por seus próprios irmãos. O filho consegue dar a volta por cima e reencontra sua família. Ascende ao trono um Faraó, que como a Torá nos diz, “não conhecia Yossef”, isto é, já não lembrava mais dos judeus com bons olhos. Então, anos após Yossef, um hebreu, ter ocupado um dos postos hierárquicos mais altos no Império Egípcio, o governo decide escravizar todos seus descendentes.  Um parêntese. A história repetiu-se e tornou-se uma tradição: os judeus são bem recebidos, desenvolvem-se e desenvolvem a nação em aspectos sociais econômicos e políticos e anos depois são expulsos, ou escravizados, ou oprimidos e perseguidos.

                Continuemos. Nasce Moshe e ele sobrevive ao decreto de morte aos bebês meninos de origem hebraica. Cresce no Egito, mas logo sai e descobre que é o escolhido por D’ us para libertar Seu povo. Moshe volta e exige do Faraó a liberdade. Diante da negativa, são impetradas pragas cada vez mais danosas. O mar abre passagem para a fuga. Os hebreus enfim consegue escapar do aprisionamento egípcio e se transformam no povo judeu. E então se conclui um dos episódios mais rememorados na vida judaica: a saída do Egito.

                 Foquemos em um momento específico do êxodo: a 10ª praga. Os primogênitos egípcios vão falecer. Os hebreus vão adquirir liberdade. Talvez este seja o clímax da história, um dos capítulos mais tensos da novela. Moshe reúne todos e os instrui a proteger suas casas. Ele então conclui seu discurso na véspera da 10ª praga, na véspera da liberdade. Ele poderia relatar as obrigações morais e religiosas que provêm do privilégio de ser não somente um povo livre, como também o povo escolhido. Ele poderia, como estou fazendo agora, relembrar toda trajetória judaica até aquele presente o momento. Ele poderia reforçar a importância de servir D’us e não O abandonar. Poderia alertar para as tentações de desvio da conduta requerida, ou discursar acerca dos próximos passos da jornada de forma pragmática e objetiva, fornecendo instruções acerca da peregrinação até a Terra Santa. Mas ele não faz nada disso. Ele conclui suas instruções falando sobre o futuro, sobre os filhos – “e quando seus filhos perguntarem, vocês dirão…”.

            Moshe volta nesse tema várias vezes. Eu imagino que os judeus da época não devem ter compreendido muito bem o porque referir-se ás próximas gerações no momento do auge das pragas divinas, na hora que antecede todo ápice de narrativa. Hoje, compreendemos: se queremos ser imortais e defender a continuidade do povo da Bíblia, precisamos contar aos nossos filhos. Assim como um país precisa de um exército para se defender suas fronteiras, um povo precisa de educadores para defender sua continuidade. Moshe estava no Egito na época das construções das enormes pirâmides e percebeu que esse seria o legado da civilização egípcia da antiguidade. Ele escolheu um caminho diferente para o povo judeu. Esse caminho determina que construamos escolas e sinagogas ao invés de pirâmides e monumentos. Que cuidemos do órfão, da viúva, do pobre, do estrangeiro, do fraco ao invés de cuidar das supostas vontade de vários deuses que imperavam na cultura politeísta da época. Que contemos aos nossos filhos. Deu certo. Aqui estamos. Sobrevivemos, apesar de todas tentativas de nos aniquilar.

            E então chegamos a 2013. O início da história que lemos essa semana não parece estar tendo um fim glorioso, apesar do renascimento político em nossa terra. Durante séculos, nos mantivemos fiéis na determinação de Moshe. Apesar de todas as dificuldades, nos mantivemos judeus e transmitimos nosso legado, cujos aspectos em grande parte já foram incorporados pela cultura ocidental.  Contudo, quantos judeus permanecem judeus e optam por ter uma vida judaica construindo um lar judaico? Quantos sentem orgulho de pertencerem ao povo judeu?

         A resposta se dá com uma metáfora (presente no livro Letter in the Scroll). Imaginemos uma biblioteca antiga. Entramos nela e vemos uma série de livros de variados temas. Começamos a folhar e logo entramos na mente do autor, nos emocionamos com histórias, sentimos um pouco de aventura ou tristeza, emergimos no contexto do livro. E então fechamos o livro e voltamos à realidade. Podemos abrir e fechar outros de vários estilos e ideologias, de acordo com nossos interesses e nossa vontade.  Eles não são parte de nós, são apenas interesses externos. E então avistamos um livro antigo diferente, com nossos sobrenomes na capa. Intrigados, naturalmente decidimos abrir o livro e logo percebemos várias anotações e comentários. Gradualmente, entendemos sobre o que se trata: é a história de todos nossos ascendentes. Todos antepassados contando como eram suas vidas e o mundo para que a próxima geração possa compreender de onde elas vêm,  o que aconteceu com sua família, o que viveram e porque viveram, o que conquistaram, qual aliança com D’us realizaram, quais valores defendiam, quais princípios norteiam nossas origens. E então conseguimos encontrar nossos nomes. Este não seria um livro comum qualquer que podemos descartar e tratar como outro. Nós saberíamos que fazemos parte de algo e que estamos no meio da jornada, não podemos abandonar o barco, a continuidade depende de nós. Nós faremos parte da história? Escreveremos nosso capítulo nas entrelinhas? Daremos o livro a nosso filho? Ou riscaremos nosso nome e abandonaremos a obra em um museu?

           Ser judeu é ser um capítulo nesse livro. O livro oferece o conhecimento de quem somos, é o passado que deve modelar nosso presente e construir nosso futuro. Nós vivemos em certo país, temos amigos, compromissos, paixões, preocupações. Mas tudo responde apenas o que fazemos, com o que nos importamos, do que gostamos. Quando trata-se de responder quem somos, temos que viajar no tempo e descobrir quem eram nossos pais, e os pais de nossos pais e assim por diante. E quando descobrimos, temos que contar aos nossos filhos, temos que ser guardiões da história. Essa é a essência da identidade judaica.

                Baal Shem Tov dizia que o povo judeu é como a Torá e que cada judeu é uma letra da Torá. Nosso passado nos vincula a algo maior. Devemos optar por continuar, não podemos falhar agora, somente se nos orgulharmos do judaísmo e transmiti-lo poderemos carregar a história de centenas de gerações. Esse é nosso dever: não podemos ser letras faltantes no pergaminho de Baal Shem Tov.

          Por que tantos e tantos judeus não se sentem parte? Porque seus pais não cumpriram com a primeira determinação de Moshe. Simples assim. Não contaram a seus filhos. Preferiram colégios laicos em detrimento de escolas judaicas de qualidade que harmonizam o judaísmo com outras matérias, superestimaram o inglês em detrimento do hebraico, optaram por aulas particulares de todos os temas menos judaísmo e principalmente porque não deram o exemplo pessoal necessário e não mostraram o judaísmo como ele merece ser visto. É nesse contexto que surgem então viagens e organizações judaicas desesperadas por tentar construir uma identidade judaica instantânea que dê sentido a vida judaica e estimule a continuidade.

                 Temos que criar um sentimento de pertencimento. E para criar esse sentimento, precisamos focar na história judaica e nos valores judaicos. E equivocam-se aqueles que pensam que para isso é necessária uma vida baseada no judaísmo ultraortodoxo. Não podemos confundir religião e povo. Existe um povo muçulmano? Um povo budista? Um povo católico? Não. Mas existe um povo judeu e é aí que está o segredo. Relembramos constantemente a saída do Egito pois foi esse episódio que nos transformou de um aglomerado de indivíduos em um povo, um povo que fez uma aliança com D’ us para a eternidade. Quando Ruth converteu-se ao judaísmo a primeira coisa que disse foi “amecha, ami” – seu povo é meu povo. Ela não disse logo de cara “seu D’ us é meu D’us”. Para ser judeu, primeiro precisamos nos sentir parte do povo judeu, antes mesmo de exercer a religião judaica.

              Por que vivíamos em guetos e éramos excluídos da sociedade? Por causa que nossa fé e nossas crenças eram diferentes? Não! Porque éramos um povo a parte, uma nação no meio das nações, dispersos pela terra.

             Em 1801, Napoleão Bonaparte encarregou o Ministro de Culto francês, Portalis, de preparar um relatório sobre as relações entre a religião judaica e o Estado. Em abril de 1802 Portalis leu diante da Assembleia Legislativa: “o governo cuida da organização de diversos cultos e tem também em conta a religião judaica, ela deve ser livre como as demais crenças conforme estabelece nossa lei. Porém os judeus, antes de uma religião, constituem um povo, vivem entre as nações sem se mesclar com elas.”

              O que Haman disse a Achashverosh há 2000 anos? Como ele nos apresentou? Copio e colo o 8º passuk do 3º Capítulo: “Disse, então, Haman ao rei Achashverosh: Existe um povo, espalhado e disperso, dentre os demais povos de todas as províncias de teu reino, cujas leis são diferentes de qualquer outro povo, e que não cumpre as leis do rei; pelo que não convém ao rei conservá-lo”. Ele não afirmou ‘há uma religião ou uma fé diferente da que defende vosso reino’! Ele referiu-se ao conceito de povo!

           Quando D’us faz uma promessa a Avraham ele não diz ‘e farei de ti uma grande ideologia, fé, religião, crença’. Ele diz ‘farei de ti um POVO grande’. AM Israel Chai. O movimento charedi pode alegar que nossa essência é a religião. O movimento sionista pode alegar que nossa essência é uma nação. O movimento nazista pode alegar que nossa essência e é uma raça. Mas nós somos, antes de tudo, um povo.

          Nós somos um povo e cada vez mais esta definição essencial vem sido deixada de lado. Um povo, é claro, tem sua cultura, seu idioma, sua religião, sua pátria. Uma cosia não desobriga a outra. Mas quando estamos viajando de turismo em um país remoto e encontramos uma família judia, não nos identificamos? Não nos desperta curiosidade e interesse? Por quê? Se judaísmo fosse só uma religião, teríamos rituais e tradições antigas não tão atraentes, que é a forma que muitos interpretam (principalmente aqueles cujo ápice do judaísmo se dá no bar-mitzva). E, enfim, seriamos indiferente quanto o que ocorre com os judeus nas outras partes do mundo, simplesmente não seria do nosso interesse. Por acaso um muçulmano da Síria se identifica com um da Arábia Saudita? Pelo contrário, dependendo do caso eles podem vir a guerrear entre si! Mas os judeus não. Os judeus fazem parte de um povo. Se houvesse apenas a religião judaica qual seria o problema de casar-se com alguém de outra fé?

         Nesses tempos em que lemos o início de toda evolução de nossa história, temos que nos questionar como garantir a continuidade do povo judeu, como fazer com que mais pessoas vejam seu nome no livro. Temos que identificar os motivos que levam indivíduos a rechaçar e abandonar o povo que nasceu para ser uma luz entre as nações, avaliar como estamos apresentando a religião judaica. Essa é a missão e o grande desafio dessa geração. Moshe já nos deu a resposta. Precisamos encontrar meios originais de colocá-la em prática.

          Não é uma tarefa fácil. Mas como diz o Pirke Avot, não nos cabe finalizar a o trabalho, mas também não somos isentos de começar e se esforçar.

          Eis uma causa nobre para viver e uma inspiração para engajar-se no esforço de fazer a diferença. Ou morrer tentando.

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